terça-feira, 7 de junho de 2011

Percurso Pedestre

Podcast explicativo do percurso [aqui]




Percurso Pedestre

Rota dos Laranjais


A laranja é um fruto que teve a sua origem na Ásia.
A laranja amarga (Citrus aurantium L.), surge na Europa e, desde há quatro séculos, que é utilizada como porta enxerto da laranja doce.
Em 1593, D. Francisco de Mascarenhas trouxe da China as melhores variedades de laranja, contribuindo, assim, para uma maior prosperidade, atingindo o seu período áureo na segunda metade do século XVII.
Sobre agricultura da Beira Alta lê-se numa memória publicada em 1531 ou 1532:
“…há neste circoito árvores de espinho, a saber muitas laranjas, limões e algumas limas, muitas cidras e zamboas, que abastam a terra e carregam os almocreves pêra toda esta Beira: valem oito e dez laranjas ao real, e quatro a seis limões um real…”
No Vale de Besteiros, as primeiras referências à presença da laranja não são fáceis de precisar sabendo-se, contudo, que é vulgar aparecer nas escrituras da região, dos séculos XVI a XVII indicações sobre terrenos com laranjeiras.
O percurso da laranja no Vale de Besteiros tem-se pautado por diversos ciclos, ora de prosperidade, que ainda se estendeu por todo o século XVIII e por mais de metade do século XIX, ora momentos de menor notoriedade, quando doenças como a gomose e depois a praga icéria arruinaram os laranjais de Portugal e do Mediterrâneo.
Ao contrário das flutuações do mercado, as condições de produção e de qualidade deste fruto mantêm-se e são reconhecidas até aos dias de hoje.
É numa faixa de terrenos pobres e pouco apropriados para a agricultura tradicional, em pequenos vales mais abrigados, na vertente oriental da encosta da Serra do Caramulo, que se encontram os melhores frutos.
Como curiosidade, é comum dizer-se na região que a melhor laranja de Portugal verifica-se nos meses que não têm “r” – de Maio a Agosto.
Não esquecer também que o clima contribui para a especificidade deste fruto, tornando a região privilegiada para a produção de laranja tardia.




O Circuito Pedestre “Rota dos Laranjais” inicia-se no Parque do Santuário Coração de Maria.

Aqui pode visitar a Capela do Sagrado Coração de Maria, um templo mariano.
Na parte da frente do Santuário pode vislumbrar quase toda a região de Besteiros e lá, ao longe, a Serra da Estrela, que, em algumas épocas do ano,  se veste com um extenso manto branco de neve.
No parque atrás do Santuário pode ver um cruzeiro com o capitel na sua coluna estilo coríntio.
Já no interior do santuário pode apreciar a talha de características neoclássicas e marcadas por um linearíssimo e austeridade patentes nas formas e imensos espaços deixados em branco.
O retábulo-mor apresenta quatro colunas de fuste direito, com o terço interior revestido por caneluras e encimadas por festões.
No altar central destaca-se a imagem do Sagrado Coração de Maria, uma bela escultura em terracota policromada.
Após a visita ao santuário, a caminhada inicia-se pelo circuito de manutenção que conduz a uma visita à povoação de Portela até ao caminho da igreja.
Ao chegar ao caminho da igreja deve ter atenção à sinalização, pois este também faz parte do Circuito do Linho PR2. Esta rua passa pela Costa da Várzea e termina no lugar do Cacharral.
Seguindo em direcção a Eiras, atravesse a ponte sobre a ribeira de Castelões. Aqui surge o passadiço onde deve parar para apreciar o açude e a queda de água.
Passando a ponte, do lado esquerdo pode apreciar o moinho de água e do lado direito a Fonte de Chafurdo, onde em tempos idos “todos iam mergulhar o cântaro”.
Prosseguindo a caminhada pelo caminho dos fundos, ao chegar à estrada alcatroada, pode ver do lado direito a fonte funda, outro espaço onde se ia buscar a tão preciosa água.
Chegou à Quinta do Quintal, no lugar do Rossio no qual aparecem algumas referências à existência de uma torre, possivelmente envolvida no solar, a qual terá também dado o nome a Castelões e a qual se pensa ter pertencido à família Antero de Quental.
De frente para a Capela da Nossa Senhora da Conceição datada do século XVIII, no seu lado direito, pode ver a casa solar da quinta com o seu brasão na esquina, do lado esquerdo da casa.
Desde o momento que entra no caminho do povo encontra a Quinta da Cruz, que ao longo dos tempos apresentou diversas designações.
Esta quinta possui uma grande extensão de castanheiros e um eucalipto centenário, que para o abraçar são necessárias, pelo menos, 10 pessoas.
Uma outra curiosidade é o brasão que se encontra não na parte frontal da casa mas na parte frontal da capela.
Seguindo o caminho para a Igreja de Santo António, em Vila de Rei, encontra o cruzeiro do parque de São Lourenço, local de reunião dos féis aquando da festa deste patrono e caminho das ladainhas, também, percorrido pelos fiéis, no dia da Festa das Cruzes. Esta festa realiza-se na quinta-feira da Ascensão, ou seja, quarenta dias depois da Páscoa Católica, sendo uma das celebrações religiosas mais importantes do concelho de Tondela e a qual conta com a participação dos habitantes das várias freguesias.
No lugar de Vila de Rei poderá dirigir-se ao cruzeiro de Santo António, o mais simples de todos, somente com uma cruz sem qualquer trabalho na pedra e seguir para a Capela do Santo António, construída em 1850.
Daqui regressa, novamente, ao Parque de São Lourenço onde poderá fazer uma curta pausa, e preparar-se para a subida acentuada do Figueiral.
Nesta difícil subida, poderá observar as diferentes matérias de construção dos caminhos e, após passar, pela segunda vez, a estrada principal, poderá ver mais uma das fontes de chafurdo.

De seguida, encontra a Capela de São Simão, que é um pequeno templo reedificado, nos inícios do século XVIII, à custa das esmolas do povo.
No seu interior pode apreciar-se quatro colunas salomónicas, que dão corpo a um retábulo joanino de cariz rudimentar e popular. Ao centro, abre-se um nicho encimado por uma sanefa da qual pendem cortinas de tons azuis. Guarda a imagem do padroeiro, São Simão, que se apresenta num estado de acentuada degradação.
Por fim, nuns intercolúnios sobre peanhas douradas, encontram-se as imagens de Nossa Senhora dos Remédios e Santo Antão, advogado dos porcos.

Neste ponto, saída do lugar de Figueiral, quem o desejar, poderá ir até à central Hidroeléctrica, uma central de fio-de-água alimentada pelo rio Carvalhinho.
Iniciou a sua produção em 1954 pela mão da empresa Eléctrica do Caramulo com 0,01 MW, contando actualmente com 0,16 MW.
Junto à central e após atravessar o ribeiro pela sua parte mais estreita (em frente à descida que acabou de fazer para chegar à central) pode seguir o caminho único sinuoso, sem protecção e não sinalizado, até uma belíssima cascata denominada o Poço da Grade.
Relativamente a este poço, conta-se que no tempo em que os árabes viveram nas nossas terras, quando estavam a ser atacados e com medo que lhes roubassem o seu ouro, colocaram-no neste poço, protegido por uma moura encantada em que ninguém conseguia entrar ou sair de lá com o precioso metal. Para corroborar com a história do ouro aí colocado pode ver-se o amarelado das pedras por onde passa a água.
Neste ponto, saída do lugar de Figueiral, e caso não pretenda ir à central Hidroeléctrica e ao Poço da Grade, siga a rota em direcção à Costa.
Rodeado de austrálias, eucaliptos, pinheiros bravos e outras espécies, este é o grande momento, pois, vai entrar na parte mais fresca de todo o circuito.
Chama-se à atenção aos moinhos de águas abandonados, em especial a forma de construção das tubagens totalmente em pedra abraçados por extensos laranjais e escutando de fundo o barulho da água saltando de açude em açude.
Em algumas épocas do ano, este estreito caminho permite-nos encontrar pequeníssimas cascatas de água a cair mesmo ao nosso lado.
Como curiosidade, o rio de castelões só nos seus 10KM de percurso que atravessam a freguesia teve 20 moinhos de água, hoje quase todos a necessitarem de recuperação e 1 lagar de azeite já desaparecido.
Quando chegar às primeiras casas e antes de passar debaixo de uma casa que faz ligação com os dois lados da rua formando uma espécie de ponte, se virar à direita pode encontrar alguns moinhos em ruínas e apreciar mais algumas belas cascatas. Redobre os cuidados, uma vez que os caminhos não estão protegidos.




Moinhos de água
Como noutros lugares da Península Ibérica, em Tondela, a indústria da moagem tem o seu auge com o cultivo do trigo, a partir do séc. XVII.
Desde este momento até ao aparecimento da máquina a vapor, poderia dizer-se que estes engenhos eram os principais factores de desenvolvimento das economias locais.
Embora estes moinhos tenham perdido o protagonismo de outros tempos, ainda hoje, por aqui, os cursos de água permanecem ladeados por estas estruturas que, aproveitando os desníveis da água, já transformaram muito cereal em alimento e alguns, ainda que poucos, continuam em funcionamento.
São construções geralmente pequenas, em granito, tendo como único acesso a porta e, quando muito, apresentam uma pequena fresta lateral. Os telhados de uma ou duas águas são em telha de meia cana ou do tipo Marselha.
O seu mecanismo de funcionamento impõe a existência de dois pisos, sem comunicação interna entre si. A parte superior é o sobrado, onde se faz a moagem do grão e na parte inferior do moinho - o cabouço – onde se capta a energia que faz funcionar o engenho.

Moagem do cereal
A água da ribeira desviada pelas levadas ou caleiras, por vezes escavadas na rocha, cai sobre as pás do rodízio. Este, através de um veio central a que está ligado, e que se prolonga verticalmente até à mó móvel, imprime-lhe um movimento giratório sobre a mó fixa. É esta fricção que transforma em farinha, o grão armazenado na moega – uma peça de madeira, afunilada, que além de conter grande quantidade de cereal, serve também para ir doseando a sua libertação no olho da mó. A textura da farinha depende da posição do aliviadouro, que é quem regula a distância entre as duas mós e, consequentemente, a intensidade da moagem.


No lugar do Ribeiro de Castelões poderá apreciar outros laranjais e visitar a Igreja Matriz, templo de devoção ao Santíssimo Salvador, que no seu interior conta com um conjunto de retábulos neoclássicos e onde pode apreciar as suas riquezas: duas esculturas de pedra policromada do Século XV, de Santo Antão e São Brás e, ainda, uma custódia de prata do Século XVIII.

 


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